19 de jul de 2007

Editorial do jornal O Globo

Este Editorial, que desde já considero histórico, foi publicado na data de 15/07/2007:


"Debate das Drogas:

Entre os temas incandescentes, capazes de deflagrar discussões apaixonadas, inclui-se o da legalização do uso de drogas. Dínamo da criminalidade em escala planetária, a produção, o tráfico e o consumo de cocaína, maconha, heroína — apenas para citar as de maior mercado — e substâncias sintéticas movimentam bilhões, preocupam governos e famílias. A luta contra essa indústria parece inglória, além de ser custosa em dinheiro e vidas. Com esse pano de fundo é que se coloca a questão: por que não legalizar o consumo de drogas, para afinal controlá-las?


A polêmica vem de muito tempo e nela acaba de desembarcar o governador Sérgio Cabral. Logo no início do seu governo, Cabral se colocou ao lado dos defensores da legalização. Posição reafirmada em recente entrevista a “Veja”: “Será que não é mais fácil legalizar e criar políticas públicas na área da saúde, para conscientização, para o controle?” É uma das perguntas que vêm sendo feitas nesse debate, e com participantes ilustres, alguns, à primeira vista, improváveis. Como o economista Prêmio Nobel Milton Friedman, americano, já falecido, um dos ícones do monetarismo, ultraliberal, tachado de inimigo pelas esquerdas.


Por liberal, Friedman defendia a liberdade no uso de drogas. Em 1991, numa entrevista transmitida por emissoras de TV da rede pública americana, ele explicou as razões pelas quais considerava um erro o Estado interferir em qualquer decisão individual. Friedman defendia para a cocaína e outras drogas o mesmo tratamento dado ao álcool. Se a pena para o motorista apanhado alcoolizado é alta, deveria ocorrer o mesmo para o inebriado por maconha. Considerava inútil a guerra das drogas, assim como foi ineficaz a Lei Seca (a Prohibition, como se referem os americanos), contra as bebidas alcoólicas.


Naquela entrevista, expôs uma tese instigante: ao reprimir o tráfico, o Estado protege o cartel das drogas, pois impede que entrem concorrentes no mercado e façam o preço da cocaína cair. A posição de Friedman é apoiada pela “Economist”, importante semanário inglês, também um totem do liberalismo. Em julho de 2001, a revista, em editorial, argumentava que o rigor da repressão ao tráfico, nos Estados Unidos, não se traduzia em queda do consumo — quase um terço dos americanos com mais de 12 anos admitia ter usado drogas —, apesar dos bilhões gastos nessa guerra, dinheiro que poderia ter outro destino.Não há resposta fácil a todas essas questões. Nem pode o Brasil legalizar esse mercado unilateralmente, sem que os grandes países consumidores o façam. Mas o tema está aí e precisa ser debatido. Não podemos fingir que ele não existe."

18 de jul de 2007

Liberdade

Voltei. Mas apenas para linkar uma lista de propostas reunidas po um membro do LIBER. Peraí, você não sabe o que é LIBER? O antigo Partido Libertário Brasileiro virou Libertários, e adotou a sigla LIBER.

Pois bem, o partido passa por uma série de dificuldades institucionais, que envolvem, por exemplo, a publicação de nossos programa e estatuto no Diário Oficial(o custo é alto). Enfim, o objetivo deste post é mostrar as idéias que circulam pelo partido, que não implicam, necessariamente, que todos concordem com todas as propostas listadas. Eu diria, na verdade, que a maioria concorda com os princípios que norteiam as justificativas para cada uma destas medidas, mas que não implica, necessariamente, em apoiar todas as propostas particulares listadas abaixo.

Mas não quero que julguem, de antemão, o partido como 'besteira', simplesmente por discordar deste ou daquele ponto. Eu pergunto: vocês concordam integralmente com algum partido existente? Provavelmente a resposta será negativa. Da mesma forma, não é preciso concordar integralmente com as propostas do LIBER para apoiá-lo. As propostas listadas no link, repito, ainda precisam ser melhor debatidas, mas eu afirmo, sem medo, que as nossas propostas são melhores do que as propostas de qualquer partido existente. Leiam todos os pontos e façam sugestões, elas serão bem-vindas. Mas digam francamente: dada as propostas deste link, vocês preferem algum partido existente atualmente ou escolheriam o LIBER como melhor alternativa, desconsiderando questões de possibilidade de vencer(que são importantes, é claro, mas que não cabem nesta discussão que proponho)?

O link está aqui.