5 de mai de 2007

Marxismo

Para uma apreciação geral do pensamento marxista, recomendo o livro "O marxismo de Marx", do sociólogo francês Raymond Aron. Do mesmo autor, o capítulo do livro "Etapas do pensamento sociológico" dedicado a Marx, contendo condenações mais incisivas do marxismo no ponto de vista epistemológico. Para uma crítica que primeiro defende o pensamento marxista de seus detratores e das versões vulgares, mas depois mostra o fracasso do marxismo em se constituir como teoria científica, conferir o segundo volume do livro "A sociedade aberta e seus inimigos", do filósofo austro-inglês Karl Popper. Neste volume, o autor também analisa a filosofia de Hegel. Para uma apreciação mais biográfica do pensamento marxista, o livro "Rumo a Estação Finlândia", que também analisa os antecedentes do socialismo e do historicismo, além de tratar do pensamento leninista, escrito pelo crítico americano Edmund Wilson, é uma obra fundamental, apesar de que o seu ponto central pode ser interpretado como em parte anti-semita. Para uma crítica mais psicológica do processo revolucionário, a obra do escritor francês Albert Camus, "O homem revoltado", é incisiva por defender a revolta como distinta da revolução. Para uma reformulação(ou melhor, resgate) do ponto de vista marxista, na época contaminado pelo estruturalismo ou pelo dogmatismo do marxismo existente nos países ditos comunistas, "Marx's Theory of History - a Defense", do pensador inglês G .A. Cohen, é uma obra que deve ser levada em conta, ponto de partida do movimento que ficou conhecido como 'marxismo analítico', uma tentativa de avaliar o legado marxista do ponto de vista da filosofia anglo-saxã contemporânea.

2 de mai de 2007

Sowell ficou doido?

"When I see the worsening degeneracy in our politicians, our media, our educators, and our intelligentsia, I can’t help wondering if the day may yet come when the only thing that can save this country is a military coup." Thomas Sowell

1 de mai de 2007

A mais importante crítica é a autocrítica

Aqueles que se pretendem críticos mas nunca se voltam para as bases de suas prórias opiniões já se distanciaram e muito da atividade crítica.

30 de abr de 2007

Comentando os comentários

Christian Rocha pergunta:"Seu post sugere que os economistas conseguem entender essas três coisas. Eu, como não sou economista, gostaria muito de entendê-las."

É verdade que o meu post sugere isso. Eu diria que os economistas possuem vantagem, pelo menos nessa área, por tentarem entender porque os pobres fazem essas escolhas, ao invés de simplesmente negarem qualquer racionalidade nessas decisões. O que não significa, é verdade, que os economistas sejam unânimes nas explicações dadas.

Antes de me aprofundar na explicação dos economistas, vou expor a surpresa com que essas constatações são recebidas pelos outros:

"famílias mais pobres tem, em média, mais filhos que as famílias mais ricas"

Famílias mais pobres possuem menos recursos do que famílias mais ricas. Famílias mais ricas possuem melhores condições de criar um número maior de filhos. Que uma família com menos recursos tenha mais filhos que uma mais abastada é 'irracional'.

"são justamente as pessoas mais pobres que gastam uma parcela mais significativa de sua renda em drogas como cigarro e bebida"

O nível de consumo de uma pessoa pobre se encontra bem abaixo do nível de uma pessoa rica. Faria sentido, portanto, que o pobre dedicasse uma parcela ínfima de sua renda consumindo drogas(ou até mesmo nenhuma), visto que existem muitos outros bens que ele teria que consumir para se aproximar do nível de consumo de uma pessoa rica. Ao consumir grande parte de sua renda com drogas, o pobre distancia ainda mais o seu nível de consumo do nível do rico. Gastar o seu dinheiro com drogas é, portanto, 'irracional', pois ele prejudica a si mesmo ao agir assim.

"pobres tem maior probabilidade em se viciar em jogos de azar"

Pessoas ricas já consomem uma quantidade considerável de bens, e a utilização de uma parcela pequena do seu dinheiro em jogos traria perda ínfima. Já para uma pessoa com recursos tão limitados quanto um pobre, utilizar sua renda em jogos diminui ainda mais o dinheiro disponível e conseqüentemente o seu nível de consumo. Novamente, este seria um comportamento 'irracional'.

Posteriormente, explorarei os equívocos destes raciocínios. Enquanto isso, comentários são bem vindos.

A dificuldade de ser um não-economista

1)Não-economistas não conseguem entender porque as famílias mais pobres tem, em média, mais filhos que as famílias mais ricas

2)Não-economistas não conseguem entender porque são justamente as pessoas mais pobres que gastam uma parcela mais significativa de sua renda em drogas como cigarro e bebida

3)Não-economistas não conseguem entender porque os pobres tem maior probabilidade em se viciar em jogos de azar

Talvez seja por isso que o 'pobre', na cabeça do não-economista, se transforma num ser tão mítico e indecifrável, do tipo "se ele é pobre, por que ele age assim?". O pobre é visto, portanto, como um ser irracional, sempre prejudicado pelas interações voluntárias no ambiente de mercado.
Liberalismo: uma autocrítica

A maior parte das pessoas com as quais converso até concordam com o ponto de vista liberal, mas julgam que uma ordem social liberal seria muito instável. Acreditam, por exemplo, que os direitos individuais seriam distorcidos pela desigualdade de renda resultante da ordem de mercado. Particularmente, eu acho que os pensadores liberais não deram a devida atenção a este tipo de crítica.

Veja que ela é diferente da clássica crítica de que o liberalismo seria mera apologia da 'exploração'. Esta crítica é mais sutil, pois a pessoa concorda com o ideal de sociedade dos liberais, mas acredita que uma ordem social liberal seja utópica.

E, se formos ver o mundo real, constataremos que nosso sistema judiciário realmente é permeado por injustiças, e que talvez muitas delas se refiram à desigualdade de renda. O erro está em imaginar que esta seja a única fonte de injustiça de um sistema judiciário. Há injustiça em discriminar por profissão, por afinidade ideológica, por religião, por raça, por sexo, por estilo de vida, etc. Enfim, há injustiças cometidas que afetam tanto ricos quanto pobres.

O fato do liberalismo conviver bem com uma sociedade em que haja desigualdade de renda, desde que esta desigualdade seja oriunda de um processo justo, não significa o mesmo que ser indiferente às injustiças que possam ser cometidas por pessoas em posições privilegiadas da distribuição de renda. Sem deixar clara esta distinção, o liberalismo não tem muito futuro por aqui.

29 de abr de 2007

Livre comércio: Inglaterra X França(clique na imagem para ampliar)




Novo texto

Texto novo nos Progressistas, estréia de novo articulista:

Crítica a Hegel e à dialética hegeliana.


Religião nos EUA(clique para ampliar)