10 de ago de 2007

De que forma o governo distorce a distribuição de renda no país? - uma modesta proposta

Decisões governamentais afetam substancialmente a distribuição de renda num país com uma desigualdade de renda considerável e com uma remuneração média dos funcionários públicos que os coloca facilmente no grupo dos 10% mais ricos.

Poderia ser diferente? Vejamos: é razoável que o governo remunere profissões que existem no mercado de forma mais ou menos semelhante, então não é possível modificar, de maneira substancial, os gastos com médicos, professsores, etc(o problema, aqui, se relaciona mais com a produtividade do trabalho executado).

Mas há várias profissões que não existem no mercado: juízes, deputados, policiais federais, funcionários do BC, etc. Alega-se que é preciso, no entanto, oferecer um salário que seja atraente para aquele grupo de acordo com as perspectivas alternativas de trabalho do mesmo. O problema seria, novamente, relacionado à produtividade do trabalho executado.

De qualquer forma, mesmo esta apreciação nos apresenta critérios razoáveis e limites de remuneração que poderiam muito bem ser utilizados por governos. Mas esta seria apenas metade da solução.

E é uma solução imperfeita, pois o governo está remunerando pessoas no setor público com um salário que, segundo a visão igualitária da sociedade, viola a teórica distribuição justa da renda(eu não concordo com ela, mas esta discussão não cabe aqui). No caso das remunerações do mercado, o governo não tem muito a fazer exceto taxar a renda(novamente, não entrarei no mérito de taxar a renda), já que estabelecer um teto de salários teria efeitos muito mais perversos. Para os funcionários públicos, no entanto, o governo pode determinar salário mais baixos tendo como objetivo diminuir a desigualdade de renda, e supondo que funcionários públicos valorizam aquele trabalho como um serviço que prestam à sociedade e não se incomodariam, portanto, em receber pelo serviço um salário um pouco abaixo do de mercado(de acordo com o prazer derivado de trabalhar para o governo).

Peguemos, por exemplo, um gasto com 1000 servidores públicos ganhando 5 mil reais líquidos mensais. Vamos supor que se retire mensalmente 1% desta quantia, ou seja, 50 reais. Daria para criar um fundo de 50 mil reais mensais, que seria destinado para as famílias com renda per capita de até 2 dólares per capita diários. As pessoas só receberiam até que a renda familiar per capita fosse igualada a 2 dólares diários(ou algum outro parâmetro).

Esta taxa de 1% seria cobrada de todos os funcionários públicos federais que ganhassem mais do que a renda per capita do país.

Se mais dinheiro do que o necessário fosse arrecadado para complementar a renda destas famílias, o dinheiro deveria ser usado para o governo quitar as suas dívidas.

8 de ago de 2007

Dúvida

Greve de professores também se qualifica como 'manifestação da classe média'?
Dado interessante da última pesquisa do Datafolha

"Entre os que têm nível superior de escolaridade, a variação mais expressiva foi registrada no percentual dos que acham o governo regular, que caiu de 42% para 34%. Essa variação reflete mudanças na taxa dos que acham que o presidente tem um desempenho ruim ou péssimo, que foi de 24% para 29%, e na dos que acham que ele vem sendo ótimo ou bom, que passou de 33% para 36%."

5 de ago de 2007

Analfabetismo, raça e gênero - Brasil

Em 1940, o percentual de homens brancos alfabetizados era 28,69 pontos percentuais maior do que o percentual de homens negros alfabetizados. No ano 2000, esta diferença caiu para 16,9 pontos.

Entre as mulheres brancas e negras, a diferença foi de 26,51 para 16,52.

Entre homens e mulheres no geral, a diferença foi de 8,33 para -1,28(há, percentualmente, há mais mulheres alfabetizadas do que homens).

Houve também redução entre os percentuais de homens brancos e de homens pardos e entre mulheres brancas e mulheres pardas.

Clique na imagem abaixo para ampliar os dados:







Descubra quem você é no Brasil

Em 1994, o número de pessoas por carro era de 10,4. Em 2005, caiu para 7,9.

Isto significa que, supondo que cada pessoa tenha apenas um carro(e que cada carro pertença apenas a uma pessoa), o percentual da população que é dona de carros seria o equivalente a 12,65%.

Claro, há pessoas que possuem mais de um carro. Há carros que são utilizados por mais de uma pessoa(um carro usado por toda uma família, por exemplo). Mas estes excessos acabam por compensar, no fim, um ao outro, em parte(se o indivíduo possui 2 carros, um deles pode ser contabilizado, na estatística, como pertecendo a um casal que possui apenas um carro). E como o percentual de crianças na população brasileira vem caindo, menos gente acaba por ter acesso a carros compartilhados. Ou seja, a distorção que esses números provocam se tornam menores, e ilustram de maneira mais realista o percentual da população brasileira que possui disponibilidade de se utilizar de carros no seu dia-a-dia.