4 de ago de 2007

Classe média - parte 2

Reproduzo, abaixo, comentário que fiz no blog do Tambosi, resumindo pontos do meu texto sobre a classe média(a referência aos petistas se deve ao fato de que integrantes do partido estão se utilizando de um certo discurso contrário à classe média para rebater críticas; não significa, de forma alguma, que este discurso seja usado somente pelo PT, ou que todo mundo que vote no PT apóie este discurso):

"Dúvida: os petistas são de qual classe?

Não são também da classe média?

Qualquer um que acesse a Internet dentro de casa, no Brasil, é classe média.

O que incomoda ao PT é que a classe média apóie partidos e medidas que não sejam do PT e que o PT não aprove.

Outra: intelectuais, pela remuneração que ganham, seja no setor privado, seja no setor público, também pertencem à classe média. Talvez algum dia eles olhem para suas próprias contas bancárias e percebam isso.

Aliás, a pergunta fundamental a ser feita, quando alguém vem com esta história de classe média, é perguntar a renda mensal do interlocutor: provavelmente ele perceberá que também pertence à classe média e que está falando de si mesmo. Ou não?"

3 de ago de 2007

Respondendo a uma pergunta feita ao Shikida

nota: para quem leu este artigo na sexta-feita, peço por favor que o releia. Como escrevi com pressa, algumas frases ficaram muito mal escritas e até mesmo troquei algumas palavras por outras.

Gostei da pergunta, e vou respondê-la por aqui.

"Então, Cláudio, se tiver tempo, por favor, responda se, além da óbvia discordância anarco-capitalista, é unânime alguma dessas proposições: 1° a intervenção é necessária para corrigir falhas de mercado; 2° tal intervenção deve ser promovida pelo estado.

Lembrando, para quem não tenha lido o comentário lá, que pergunto porque ouvi em aula de Direito Econômico na FDUSP uma petição de princípio que não conseguiu minha imediata adesão: até os neoclássicos --ditos o extremo oposto aos comunistas-- reconhecem que a intervenção do Estado é necessária para corrigir as falhas de mercado. Lembrando que há formas de regulação voluntária que solucionariam muitos dos problemas de acesso à informação e muitas externalidades nocivas, pergunto se há tal unanimidade entre neoclássicos ou entre qualquer corrente liberal sobre a necessidade de intervenção."

A resposta do Claudio pode ser conferida no blog dele(que não é só dele), linkado ao lado, o De Gustibus.

Bem, alguns pontos: excluindo de antemão os anarco-capitalistas, há, em toda sociedade, duas esferas de ação: a esfera política e a esfera privada. Dito de outra forma, talvez melhor, há a esfera do direito e a esfera dos agentes privados que se utilizam das regras do direito para agir. Ou simplificando: há o Estado, que aplica as regras do direito(mas que não necessariamente as cria), e o mercado, cujo funcionamento é limitado por estas regras.

Os marxistas não conseguem diferenciar o Estado do mercado. Tanto que, quando falam sociedade capitalista, referem-se ao Estado, que serve como 'vestimenta' para as relações econômicas contraidas anteriormente, mais a esfera econômica; enquanto que muitos liberais, quando se referem ao mercado ou mesmo ao capitalismo, referem-se já a ação real que os agentes executam, dada as proibições indicadas pela lei.

Há alguns autores liberais, como por exemplo Mises, que identificam como capitalismo uma sociedade que possui um conjunto de regras específico ditado pelo Estado, algo que podemos conceber como sociedade capitalista 'pura', ou sociedade de livre mercado, ou simplesmente laissez-faire. É o Estado que simplesmente pune a agressão contra a pessoa e a propriedade, além de garantir a defesa nacional, prover algum serviço de segurança pública e punir quebras de contrato, incluido aqui a fraude.

Mas digo que, desde já, esta discussão é muito muito muito controversa, e não é tão claro assim se este Estado constituiria exatamente um mínimo, ou se uma série de serviços extras já estariam sendo ofertados. Vamos trabalhar, portanto, com esta definição provisória de Estado Mínimo, que seria o Estado existente numa sociedade capitalista 'pura'.

Voltando ao marxismo: autores marxistas possuem muita dificuldade em distinguir Estado de mercado. É um problema analítico, não de burrice, lógico que eles sabem que Estado e mercado são coisas distintas, mas a dinâmica social com a qual o marxismo trabalha é outra. Por exemplo, quando o governo aumenta as tarifas sobre a importação de um determinado produto, ou mesmo quando dirige, de maneira direta, um determinado setor da economia, ele o faz de tal forma a 'servir' a manutenção da ordem capitalista. Não importa muito, para o marxista, que a empresa conquiste o benefício através da competição no mercado ou de favores do governo, AMBAS são formas de perpetuar o capitalismo. Veja que o liberal pode considerar também que uma empresa ou um conjunto de empresas sejam favorecidas pela ação do governo, nas situações citadas, mas ele CLASSIFICA tais atos do governo como sendo sim mecanismos de intervenção governamental, independente de quem se beneficie deles. O marxista está muito mais interessado em saber quem se beneficia de uma determinada ação do governo do que qualquer outra coisa.

Veja que, pela mera existência do Estado, já ocorre uma intervenção, que é a cobrança de tributos. Aqui entramos numa questão interessante: é possível subsistir o mercado sem o consumo destes serviços, a saber, proteção da vida e da propriedade, além de cumprimento dos contratos, paz externa e punição da fraude? Muitas vezes os anarco-capitalistas passam por esta questão de maneira muito rápida. Claro, há toda uma questão de saber se a pessoa paga ao Estado a quantidade que realmente gostaria de gastar com aquele serviço, mas pode-se dizer que, numa sociedade anarco-capitalista, este indivíduo gastaria zero recursos com proteção à vida, à propriedade, ao cumprimento dos contratos, para manter a paz externa e para punir a fraude? Realisticamente, a respsota provavelmente é não: ou os indivíduos se abstém, todos eles, da agressão mútua, ou é preciso gastar algo para se proteger da mesma.

Se fosse factível imaginar que ninguém agrediria ninguém, então a cobrança de tributos por parte do Estado Mínimo seria, toda ela, uma subtração na riqueza dos indivíduos. Como é factível imaginar que surgirá o conflito num agrupamento humano, mais dia menos dia, mesmo que o indivíduo pague mais do que gostaria de pagar por estes serviços, não é certo dizer que ele pague TODA aquela quantia a mais. Neste sentido, mesmo supondo o anarco-capitalismo como factível, a sua vantagem seria levar a quantidade de recursos gastas com aquele serviço para aquela com a qual o indivíduo está disposto a gastar.

Quanto a intervenção do Estado para modificar o resultado que se originaria das interações de mercado(dada a limitação da atuação do Estado enquanto Estado Mínimo), são duas questões envolvidas. Em primeiro lugar, há a crítica teórica em relação ao que consistiriam as chamadas falhas de mercado e a possibilidade de corrigi-las. Em segundo lugar, há o problema de julgar que o meio utilizado para alcançar um determinado objetivo seria neutro.

Não entrarei no mérito de discutir as falhas de mercado, mas identificar exatamente sua natureza altera de maneira substancial os 'remédios' a serem utilizados.

Além disso, há a questão dos meios serem neutros, em dois sentidos: há questões éticas envolvidas em utilizar o Estado para corrigir tais falhas? Há alguns teóricos que assim consideram. Ou seja, mesmo sendo viável utilizar o Estado para conseguir determinado resultado, não seria eticamente permitido. Além disso, há todo o processo político necessário para que o Estado intervenha no mercado. Ou seja, há um custo para implementar soluções governamentais, e estes custos não podem ser descartados(é o que nos lembra toda a literatura de public choice theory) .

Há várias considerações que deixei de fora, mas primordialmente é o que tenho a dizer.

2 de ago de 2007

Previsão

Lula fará o sucessor em 2010 e será mais uma vez eleito em 2014.

Não vejo perspectivas para que um cenário diferente se concretize.

1 de ago de 2007

Texto que escrevi para o site do LIBER

Eu escrevi este texto para o site do LIBER, acredito que seja relevante para os leitores do blog também:

O Partido Libertário admite divergência interna?

Muitas pessoas, em seu primeiro contato com o libertarismo, acreditam que esta corrente política implica na concordância absoluta de todos que a seguem. É verdade que os libertários possuem posições semelhantes em relação a várias questões, mas também divergem em outras. A divergência se dá, basicamente, em dois níveis, a saber: como os princípios libertários são interpretados, e a aplicação destes princípios a questões específicas. A interpretação dos princípios libertários remete a discussões mais filosóficas que envolvem certas sutilezas que, se num primeiro momento parecem levar a mesma posição, no final podem desembocar em diferenças significativas. Neste artigo, abordarei somente a divergência de opinião dos libertários em relação a aplicação dos princípios, cuja solução muitas vezes remete à discussão filosófica da melhor interpretação dos princípios libertários, mas que dificilmente pode ser considerada como definitiva:

1-determinação da maioridade: não existe, no libertarismo, uma posição definitiva em relação a melhor forma de diferenciar um adulto de uma criança.Há várias interpretações possíveis: a maioridade deveria ser determinada estipulando uma idade arbitrária, deveria ser reconhecida a partir de um pedido que parte da própria criança, deveria exigir responsabilidade mesmo de menores(quando agem como adultos ao violar os direitos de terceiros, etc). Portanto, apesar dos libertários concordarem no seu respeito a ações voluntárias contraídas por adultos, há uma disputa em relação ao que se pode considerar como adulto ou não.

2-direitos da criança: a relação adequada entre um adulto e uma criança também é uma área de disputa. Por um lado, vários libertários defendem que os pais devem ter total autonomia em relação a forma que escolhem educar e tratar seus filhos. Por outro, esta liberdade da família não pode implicar na violação dos direitos da criança. Ou seja, o fato da criança não poder assumir responsabilidade total por seus atos não significa que não possua direitos que potencialmente podem ser violados, mesmo pelos seus pais. Determinar o limite em que os pais simplesmente assumem responsabilidade por seus filhos e quando os mesmos estão violando os direitos dos mesmos é bastante problemático.

3-gastos com defesa: apesar de libertários concordarem que a defesa nacional é uma função legítima do Estado, não há concordância em relação a como esses gastos devem ser efetuadas. Muitos libertários defendem que, em períodos de paz, o Estado não deve manter nenhum exército regula. Uma outra posição possível seria a manutenção de uma estrutura mínima para que, a partir dela, se pudesse mobilizar os recursos necessários para lutar a guerra. Mesmo assim, há ainda espaço de discordância na determinação do que seria, efetivamente, esta estrutura mínima.

4-tipos de pena: os libertários concordam em relação a definição de crime, mas discordam quanto ao tipo de pena que deve ser aplicada aos criminosos. Há libertários que são defensores da pena de morte(mesmo entre eles há disputa em relação a que casos a pena de morte poderia ser aplicada), enquanto outros são terminantemente contra(há ainda aqueles que podem até não considerar a pena de morte como potencialmente injusta, mas são contra a mesma por questões de conveniência). Há os que propõem a possibilidade de prisão perpétua, a realização de trabalhos forçados por parte de presos, etc. Há ainda a discussão de como devem funcionar mecanismos como liberdade condicional, regime semi-aberto, e em definir que tipos de crimes devem ser punidos com a prisão e aqueles nos quais o pagamento de um multa pode substituir a penalidade física.

5.aborto: os libertários concordam que a prática do aborto não deve ser financiada por aqueles que são contrários a mesma. Também concordam que não se pode proibir alguém de abortar simplesmente porque um determinado grupo de pessoas considera o ato como imoral. Mas há uma disputa entre libertários em relação a definir o aborto como uma prática de homicídio. Aqueles que consideram o aborto como equivalente ao homicídio consideram que a prática fere os direitos individuais da pessoa que é abortada. Além desta disputa entre definir se aborto é homicídio ou não, há outras questões envolvidas como: mesmo que aborto possa ser considerado homicídio, ele seria homicídio logo no momento após a concepção ou somente a partir de um determinado momento? Mesmo que o aborto não seja homicídio, a mãe pode abortar um feto que potencialmente pode viver fora do seu útero, sem tomar o cuidado de preservar a vida do mesmo enquanto este é retirado de dentro da mãe? Várias posições podem ser combinadas, sem que precisemos sair da argumentação libertária.

6.Diferenças em relação à organização política: além das diferenças de aplicação dos princípios libertários, há uma disputa quanto a maior ou menor conveniência dos vários modos de selecionar os representantes. Parlamentarismo ou presidencialismo? Quantas casas legislativas? Possibilidade de reeleição(limitada ou ilimitada?)? Qual a melhor forma de garantir a proporcionalidade da representação?

7.Diferenças não-políticas: há ainda diferenças que, embora não sejam exatamente políticas, são importantes de serem ressaltadas, pois não-libertários politizam certos temas que libertários acreditam não pertencer à esfera da política.

7.1.Religião: o libertarismo não possui nenhuma orientação em relação à religião que os libertários devem seguir, ou mesmo não seguir. Não existe opinião quanto a religião ser boa ou ruim. Isto não significa afirmar que o libertarismo defenda uma posição neutra quanto a questão religiosa, mas sim que o libertarismo, por ser uma corrente atuante na esfera política, não formula uma posição em relação a esfera religiosa, que ele considera como excluída da questão política, o que não quer dizer que a considere como irrelevante à vida humana, seja para o bem ou para o mal.

7.2.Autorizar é diferente de Incentivar: o libertarismo defende que atividades que não firam os direitos individuais de terceiros não devam ser proibidas. Isto significa simplesmente dizer que, se um indivíduo quer se engajar numa determinada atividade, e se este engajamento não implica no desrespeito aos direitos individuais de ninguém, ele não deve ser impedido de agir. Isto não significa dizer que esta ação é correta, ou que o indivíduo conseguirá o que pretende ao agir daquela forma. Também não significa que tal modo de proceder não possa ser criticado por outras pessoas, nem que as mesmas tratem o indivíduo de maneira diferente por ele ter agido daquela forma, desde que não violem os direitos dele. Ou que se façam campanhas para desestimular um determinado tipo de comportamento.

7.3.Ausência de investimento governamental não significa ausência de investimento: o fato dos libertários defenderem o não-envolvimento do governo numa série de atividades não implica em dizer que estas atividades não tenham valor, ou que ninguém deva se envolver nelas. Mas acreditamos que o fato de eu considerar um determinado investimento como importante não me autoriza a utilizar os recursos de outra pessoa que não considera aquele assunto como relevante. Eu devo tentar convencer outras pessoas a investirem naquela atividade, este é o caminho correto.

Livros Liberais - Lista Final

A minha lista final foi reformulada e fechei 100 livros importantes para a formação liberal. Exclui livros importantes para as Humanidades em Geral, pois considerei que não conseguiria representar com justiça os estudos nos mais variados ramos do conhecimento humano (História, Sociologia, Economia, Ciência Política, Dirieto etc.), portanto preferi me concentrar nos livros de interesse liberal.

Usei os seguintes critérios:

1.representar as principais correntes do pensamento liberal

2.privilegiar livros de introdução ao pensamento liberal, em detrimento de livros sobre temas muito específicos

3.no caso de temas muito específicos, listar livros sobre temas de relevância atual(globalização, ambientalismo, etc.)

4.fazer constar livros que contem tanto a história do liberalismo quanto como certas questões importantes para o liberalismo foram pensadas ao longo do tempo, não necessariamente por autores liberais

Segue, abaixo, a lista(títulos em inglês indicam livros cuja publicação em português desconheço):

sociedade sem estado/voluntarismo/a lógica da ação estatal-9

Bruce Benson – The Enterprise of Law: Justice without the State

Randy E. Barnett - The Structure of Liberty: Justice and the Rule of Law

Rothbard

1- Man, Economy and State – with Power & Market

2 – Ethics of Liberty

David Friedman – The Machinery of Freedom

Auberon Herbert – The Right and The Wrong of Compulsion by the State

Naverson – The Libertarian Idea

Gauthier – Morals by Agreement

Anthony de Jasay – The State


minarquismo/estado limitado-8

Gustave de Molinari – The Society of Tomorrow

Frederic Bastiat

1- Economic Sophisms

2- Economic Harmonies

Ludwig von Mises

1-Socialism

2- Ação Humana

Herbert Spencer – The Man versus the State, with Six Essays on Government, Society and Freedom

Robert Nozick – Anarchy, State and Utopia

Humboldt – Limites da ação do Estado


Economia-10

Jean Baptiste Say-Tratado de Economia Política

David Ricardo-Princípios de Economia Política e Tributação

Carl Menger-Princípios de Economia

Frank Knight

1-Ethics of Competition

2-Risk, Uncertainty and Profit

Coase – The Firm, The Market and The Law

Becker- The Economic Approach to Looking Behavior

Douglass North- Institutions, Institutional Change and Economic Performance

James Buchanan/Gordon Turlock – The Calculus of Consent: Logical Foundations of Constitutional Democracy

Mancur Olson-A lógica da ação coletiva


Reformulação do liberalismo-10

Hayek

1-Fundamentos da Liberdade

2-Direito, Legislação e Liberdade

Popper-A Sociedade Aberta e seus Inimigos

Milton Friedman

1-Capitalismo e Liberdade

2-Liberdade para Escolher

Michael Polanyi – A lógica da Liberdade
ames Buchanan - The Limits of Liberty: Between Anarchy and Leviathan

Richard Epstein - Skepticism and Freedom: A Modern Case for Classical Liberalism

Isaiah Berlin – Four Essays on Liberty

John Rawls – Uma Teoria da Justiça


História do liberalismo e de temas liberais-8

Jesús Huerta de Soto - Escola Austríaca (disponível em jesushuertadesoto.com)

Merquior – Liberalismo: Antigo e Moderno

Schneewind - A Invenção da Autonomia

Albert Hirschman- As Paixões e os Interesses

Pierre Rosanvallon - Liberalismo Econômico

Alvaro Vargas Llosa - Liberty for Latin America: How to Undo Five Hundred Years of State Oppression (Independent Studies in Political Economy)

Anarchy and The Law – Coletânea

Bryan Doherty – Radicals for Capitalism


Problemas econômicos atuais-7

Hazlitt – Economics in One Lesson

Bhagwati - Em Defesa da Globalização

Hernando de Soto – O mistério do Capital

Julian Simon – Ultimate Resources 2

Bertrand de Jouvenel – Ethics of Redistribution

Kirzner - Competition and Entrepreneurship

Richard Pipes – Propriedade e Liberdade


Introdução ao pensamento liberal-5

Charles Murray- What It Means to Be a Libertarian

David Boaz – Libertarianism: a Primer

Mises-Liberalism

Bastiat- The Law

Hayek-O Caminho da Servidão


Utilitarismo/Novo Liberalismo-8

Bentham - Principles of Morals and Legislation

Stuart Mill

1- Da Liberdade

2- Utilitarismo

3- Governo Representativo

Sidgwick - Methods Of Ethics

Hill Green - Lectures on the Principles of Political Obligation

Hobhouse - Liberalism

Beccaria – Dos Delitos e das Penas


Iluminismo Escocês/Ordem Espontânea-5

David Hume - Ensaios morais, políticos e literários

Adam Smith

1-Teoria dos Sentimentos Morais

2-Riqueza das Nações

Ferguson - An Essay on the History of Civil Society

Mandeville – Fábula das Abelhas


Revoluções Liberais-9

Locke

1-Cartas sobre a Tolerância

2-Segundo Tratado sobre o Governo Civil

Kant

1-Crítica da Razão Prática

2-Metafísica dos Costumes

Jefferson - Essays

O Federalista - coletânea

Paine

1- Senso Comum

2- The Rights of Man

Burke – Reflexões sobre a Revolução em França


Direito-8

Pufendorf - Os deveres do homem e do cidadão de acordo com as leis do direito natural

Montesquieu – Do Espírito das Leis

Hart – The Concept of Law

Benjamin Constant – Escritos de Política

Posner – The Economics of Law

Bruno Leoni – Freedom and The Law

Henry Maine – Ancient Law

Lysander Spooner – Vices are not Crimes(disponível em português neste link)


reflexão histórica-5

Ortega y Gasset – Rebelião das Massas

Lord Acton- Ensaios

Tocqueville-O antigo regime e a Revolução

Alain Peyrefitte - A Sociedade da Confiança

Bertrand de Jouvenel – On Power


Sociologia-8

Dahrendorf – Ensaios de Teoria da Sociedade

Sumner - On Liberty, Society and Politics

Spencer – Social Statics

Aron – Etapas do Pensamento Sociológico

Schumpeter

1-Capitalismo, Socialismo e Democracia

2-Imperialism and Social Classes

Karl Popper – A Miséria do Historicismo

Tocqueville - Democracia na América

31 de jul de 2007

Quem é você no Brasil?

45% dos brasileiros já usaram computador

32% dos brasileiros já usaram Internet

16,6% dos brasileiros possuem computador de mesa em casa

9,6% dos brasileiros utilizam a internet diariamente

Observação: os dados são do final de 2005.

Pobre gosta de liberdade? Pobre se beneficia da liberdade?

Conheço muita gente que gosta de dizer que pobre não gosta/não liga/não quer liberdade. Há versões ainda piores, que pobre não pode/é incapaz/não se beneficia de ser livre.

Sem dúvida que a pobreza é um estado menos preferível à riqueza. Mas não é, definitivamente, o pior estado no qual o homem pode estar.

Primeiro, há o problema de definir exatamente o que seja pobreza. Há, basicamente, 2 conceitos bastante utilizados: pobreza absoluta e pobreza relativa.

Pobreza absoluta significa que a renda que o indivíduo aufere durante um determinado período de tempo considerado relevante para a reposição de suas energias vitais não é suficiente para que ele se mantenha saudável. Mesmo esta pobreza não pode ser vista como equivalente a uma renda específica, pois em diferentes contextos econômicos esta renda pode variar de acordo com o preço das mercadorias básicas. E ainda teríamos que definir o que vem a ser esta cesta básica de consumos. Ao definir esta cesta, e não a renda, temos uma leitura mais apropriada para julgar o nível de pobreza absoluta de uma determinada região.

Mas não somente o nível de renda é importante, como também sua regularidade. O grande problema da sociedade de subsistência era a sua fragilidade frente às intempéries da natureza, como uma geada que destrói a colheita. Mesmo que a sua renda fosse suficiente para repor as energias vitais, a falta de regularidade ao auferir esta renda poderia indicar uma forte chance de, em algum ponto da sua vida, morrer de fome. Leituras mais apuradas deveriam levar em conta um mínimo de reserva, seja de recursos financeiros, seja de alimentos/roupas etc. para enfrentar momentos de adversidade que podem acontecer.

Já a pobreza relativa se refere ao fato de que, relativamente ao resto da população, um grupo de pessoas é pobre. Todos nós, exceto o homem mais rico do mundo, é relativamente mais pobre do que alguém. Podemos utilizar a pobreza relativa de duas formas: uma pobreza relativa mundial e uma pobreza relativa em cada sociedade. Mas como definir uma sociedade? A pessoa que é relativamente pobre no Rio de Janeiro pode ser alguém de renda média no Nordeste. Ou seja, apesar do Estado Nacional ser normalmente a medida do que consideramos como relevante para estudar a sociedade, não é claro que esta seja uma boa esfera para estudar a pobreza relativa.

Há um significado sociológico em ser relativamente pobre. Faz diferença sim ser o mais pobre de uma dada sociedade, mesmo que não se seja pobre em absoluto.

De qualquer forma, o meu ponto é o seguinte: se a sua luta diária é meramente tentar sobreviver, a liberdade talvez não seja algo que esteja entre as suas reclamações mais urgentes. Mas não nos iludamos: a ausência de liberdade pode ser um elemento que impede a retirada de milhões de pessoas da miséria, vide o caso da Coréia do Norte. O fato, portanto, das pessoas que são absolutamente pobres não ligarem tanto para a liberdade em si mesma(capacidade de fazer escolhas) não significa que elas não valorizariam a liberdade como instrumento para sair da miséria. O desperdício de recursos resultante de uma má alocação não é só economicamente lamentável como também, ou até mais, moralmente condenável.

No caso da pobreza relativa, a relação com a liberdade em si mesma já não é tão clara. O indivíduo pode já ganhar uma renda acima daquela necessária para meramente repor suas energias(apesar de que provavelmente ainda seria duramente afetado se a sua fonte de renda cessasse durante um tempo prolongado). E ele passa a se importar sim com a sua liberdade de escolha. Senão vejamos:

-pobre não liga se determinarem que ele case com uma pessoa específica?

-pobre não liga se o proibirem de sair de uma determinada cidade?

-pobre não liga se não puder mais freqüentar a sua Igreja ou mudar de religião?

-pobre não liga se o proibirem de ouvir determinados gêneros musicais?

-pobre não liga se proibirem a prática do futebol?

Curiosamente, se pensarmos bem, devido ao fato de que, infelizmente, as pessoas com menor poder aquisitivo normalmente possuem menor escolaridade, a liberdade com a qual eles menos se importarão é justamente aquela mais valorizada pela maioria dos que negam a importância da liberdade para os pobres: a liberdade de expressão.

Neste primeiro artigo, abordei o problema da pobreza e a dificuldade de defini-la. Além disso, listei uma série de escolhas que uma pessoa pobre, tendo superado, de alguma forma, o problema direto da subsistência, gostaria de ser live para fazer. No próximo artigo, tratarei mais a fundo a respeito da seguinte questão: mesmo que o pobre valorize a liberdade de escolher, ele se beneficia desta liberdade?

30 de jul de 2007

Um dos melhores textos que já escrevi

Reproduzo, logo abaixo, um dos melhores textos que já escrevi(o que não quer dizer muita coisa, é verdade). Acredito que ele desmonte a maior parte das argumentações que visam a criticar a classe média:

Classe Média

A conceituação de classe média pressupõe a existência de duas outras classes, uma alta(ricos) e outra baixa(pobres).


A classe pobre não possui intelectuais. Uma pessoa de origem pobre que acabe por ser tornar um intelectual(supondo que a pobreza não foi um impedimento para que alcançasse tal formação)provavelmente deixará de ser pobre. A remuneração de um trabalho intelectual, seja no setor privado, seja no público, coloca o indivíduo na classe média ou na alta.

Quando se critica, portanto, uma determinada reação como típica da classe média, o próprio acusador provavelmente pertence a esta classe, ou até mesmo a uma classe superior.

O indivíduo pode alegar que está apenas criticando a reação típica, e que, apesar de pertencer à classe média, o seu discurso foge à norma, pois é um intelectual. Mas o intelectual, devido à remuneração do seu trabalho, provavelmente não é pobre, apesar de esta poder ser sua origem. Ou seja, o próprio exercício da crítica é típico da classe média, ou até mesmo dos ricos.

Uma outra tentativa de reformular a crítica é dizer que, apesar de sua posição de intelectual provavelmente o ligar à classe média, seu comportamento se distingue por levar em conta os problemas dos pobres, enquanto os outros intelectuais apenas justificariam a posição do grupo a que pertencem. Mas afirmar isto é ser redundante, pois todos os intelectuais pertencem às classes mais elevadas e, portanto, os diferentes posicionamentos políticos estarão representados naquela parte da sociedade.

Dizer que se foge da norma por tomar partido de outra classe, quando na verdade toda atividade intelectual está contida na classe a qual se pertence, significa ignorar que "tomar partido dos pobres" é, portanto, uma posição ligada ao comportamento daqueles que possuem renda média e dos ricos.

A última opção que nos resta, portanto, é reformular a crítica à classe média como sendo legítima apenas quando parte de pessoas que possuem origem pobre. Ou seja, seria através destas pessoas que a voz dos pobres ganharia força. Necessitamos de uma análise empírica para testar esta hipótese, a saber, se os intelectuais de origem pobre aderem ou não ao discurso crítico da posição de classe média. E, do ponto de vista histórico, investigar se os intelectuais que primeiro formularam esta crítica eram de origem pobre.

Mas uma outra análise empírica nos revelará uma informação importante: se a maior parte dos intelectuais que criticam a classe média enquanto grupo possui origem pobre.

29 de jul de 2007

5 pontos que travam o debate no Brasil

1-monopólio do bem: implica em acreditar que o seu lado reune pessoas de boa intenção, enquanto seus adversários são todos oportunistas.

exemplo: os liberais só pensam no bem-estar dos ricos

2-a retórica pela retórica: hábito de tentar salvar sua teoria a qualquer custo, nem que seja em detrimento da busca pela verdade

exemplo: uso de imagens que mostram o 'ridículo' de um argumento

3-desprezo pelo princípio da caridade: o princípio da caridade nos diz que uma afirmação deve ser interpretada na sua forma mais forte, e não na mais fraca. É uma busca por encontrar algum conteúdo correto nas posições alheias.

exemplo: imaginar que a proposta da ausência de um controle estatal sobre uma determinada atividade implica em puro caos, ao invés de argumentar, de maneira pontual, os possíveis problemas e distorções que ocorreriam num mercado sem controle

4-monopólio da teoria: só um lado desenvolve teorias, enquanto as idéias do outro lado são, de alguma forma, produto da realidade em que vivem. Não existem teorias concorrentes(o modelo científico), mas sim iluminados e alienados.

exemplo: criticar o capitalismo a partir da tese da mais-valia, sem levar em conta os teóricos que questionaram a validade desta teoria

5-desprezo por fatos e dados: hábito de fazer afirmações sem se referir a uma base de dados e a uma coleção de fatos que os corroborem.

exemplo: culpar a corrupção pelo rombo do INSS, quando a maior parte do aumento de gastos sem contrapartida tem origem no aumento do salário mínimo oficial(que reajusta o teto mínimo das aposentadorias e pensões) acima do crescimento real da economia