4 de ago de 2006

Segundo turno sem primeiro turno?

À primeira vista, essa análise pode parecer estranha, mas até agora a disputa presidencial está sendo uma reedição do segundo turno em 2002. Estranho? Pois explico melhor.
Não temos, esse ano, um terceiro(ou quarto) candidato que se apresente como alternativa. Novamente, o PMDB se abstém das eleições e, dessa vez, o PFL retorna seu apoio à Alckmin. E o PT? Bem, o PT se divide, hoje, em 3: a candidatura Lula; a dissidente Heloísa Helena, do novato PSOL; e Cristovam Buarque, ex-ministro da educação do atual governo e que agora milita no PDT, ainda sem rumo após a morte de Brizola. Somados, somam 56%(44% de Lula, 11% de Heloísa, 1% de Cristovam). Nas eleições de 2002, Lula conseguiu 61% dos votos válidos, enquanto Serra bateu nos 38%. Hoje, temos 9% que votam branco/nulo e 9% de indecisos. Se somássemos esses 18% com os 25% de Alckmin, nos daria 43%.
Estamos, virtualmente, na mesma situação em que nos encontrávamos no segundo turno de 2002. Esses 18% que não escolheram entre os candidatos mais à esquerda dificilmente o farão no futuro(talvez Cristovam ainda possa crescer). Nas simulações de segundo turno, Lula aparece com 50% e Alckmin, com 36%, número muito próximo do conseguido por Serra em 2002, ou seja, absorve boa parte dos nulos/brancos/indecisos: cresce 11%. Já Lula, num possível segundo turno, parece não ter absorvido todo o eleitorado de HH, mas é provável que isso ocorra. Ainda restam 14% de votos flutuantes, e se imaginarmos uma divisão igual entre os mesmos, Alckmin alcança 43% e Lula, 57%. Virtualmente, 60% a 40%, os mesmos resultados de 2002.
Essa é uma análise informal e sem muito rigor, mas apresenta tendências que não podem ser ignoradas.
Nietzsche em 3 momentos

1-queria ser soldado, acabou sendo apenas enfermeiro durante uma guerra. Mas caiu do cavalo e ficou inutilizado. Por isso toda aquela conversa sobre vontade de potência, para compensar sua impotência.
2-teve um pedido de casamento recusado por uma amiga íntima. Com isso, pegou raiva das mulheres e as caluniou durante toda a sua vida. O fato de ter vivido cercado de mulheres durante sua vida juvenil o ajudou a fazer observações sobre o outro sexo que, de outras formas, mal conheceu.
3-excetuando alguns episódios juvenis, sempre se comportou como um homem casto, contido e disciplinado. Sua aversão ao cristianismo: nunca conseguiu deixar de agir como cristão.

1 de ago de 2006

As reações emocionais

Uma reação emocional facilmente identificável é aquela que, longe de fazer a defesa da ação de uma pessoa pelas idéias, o faz através do sentimento. Por exemplo, os elogios feitos à resistência. Seja iraquiana, libanesa ou cubana. A resistência pode ser avaliada pela sua eficiência, ou por proteger algo que se considera valioso. No primeiro caso, é um conceito positivo. No segundo, é normativo.
Por exemplo, a resistência japonesa durante a segunda guerra mundial é elogiada devido ao auto-sacrifício dos militares. Ou seja, foram eficazes em prolongar a situação de um conflito que estava virtualmente perdido.Mas a natureza do regime japonês nos sugere que o Japão estaria melhor se a resistência tivesse sido desastrosa. Da mesma forma, os estados escravocratas americanos resistiram à investida dos estados do norte.
Um outro aspecto interessante do conceito de resistência é que só resiste quem está sendo constantemente atacado. Se não é necessário que quem resista tenha sido atacado primeiro, é de se supor que quem resiste está em desvantagem militar. Claro, essa não precisa ser uma condição eterna, como podemos ver na tensão entre ingleses e alemães no período 1939/1945.
Problemas éticos
-se o problema ético é essencialmente a perpetuação da espécie, poderíamos imaginar que a morte do indivíduo deveria ser condenada. De fato, isso é verdade, a não ser que acreditemos que a morte de um indivíduo aumente a probabilidade de a humanidade continuar.
-os antigos sacrifícios humanos não podem ser condenados, portanto, de maneira a priori, mas somente empiricamente, a saber, se alcançam os resultados pelos quais são justificados.
-como refletido anteriormente, a posição pacifista não se sustenta e, portanto, é legítimo matar aquele que nos ameaça matar. Mas isso é legítimo apenas sob o ponto de vista individual, a saber, todos podem querer matar a todos, e o único critério válido de justiça seria o da sobrevivência. É o problema colocado por Hobbes.
-só seria válida, portanto, a reação à ameaça de morte, e não o uso da mesma. Mas a reação pressupõe a ação. Somente se pode apresentar uma solução quando se tem um problema.
-existem situações, no entanto, em que ação e reação se dão de maneira tão constante e indistinguivel, que não é mais possível saber quem começou e quem reagiu. É a emergência do Estado, a cura da guerra civil.

31 de jul de 2006

A dimensão ética

- o único critério universal para a ética que consigo imaginar é a perpetuação da espécie. Pois o fim da ação humana seria o fim do problema ético.
-Nesse sentido, o pacifismo absoluto é o fim da ética, pois a trata como não-problema. Para que o pacifismo seja ouvido, é preciso que o pacifista não seja morto. E como evitar que isso ocorra se depender apenas da boa vontade dos não-pacifistas?
-Não deixa de ser curioso que os católicos tenham a castidade como comportamento ideal, visto que a adesão integral a ela significaria o fim da espécie humana. E que, a longo prazo, os que não aderem à moral católica(e aqui incluo os casados) tenham maior probabilidade de se reproduzirem. O problema da educação católica se transforma, assim, numa mera questão demográfica.
Leis de Ferro da Crítica Política

1. Não importa a nossa opinião, os governos agirão independente dela(casos externos, lógico). Só nos resta estudar a situação, fazer previsões, acompanhar os fatos, analisar as conseqüências.

2.O mundo não é um tabuleiro de War. Problemas políticos são estruturais. Não se solucionam matando alguém ou um grupo. Não existem "vencedores" e "perdedores". Apenas as conseqüências dos atos.

3. Não existem "cidadãos do mundo". Cada indivíduo está tão embebido em suas circunstâncias que a falta de uma cultura como mediadora dos conflitos torna o relacionamento mais conflituoso, e não mais "natural".

4. Ninguém está submetido à ONU. Não existe governo mundial, apenas países soberanos que se relacionam em palcos do internacionalismo virtual. Se alguém duvida, é só ler a Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU. Uma organização que aceita membros que não respeitam seu documento mestre não pode requerer nenhuma autoridade.

5.Existe direito sem Estado, mas não existe direito sem força. O Conselho de Segurança é isso mesmo: os países com maior força militar.

6.É verdade que os países mais poderosos exercem influência sobre os menos poderosos. Mas é falso dizer que a vida cotidiana de um país seja determinada(e nem mesmo condicionada) a tal ponto que não exista uma dinâmica própria. Não se pode confundir controle direto(colonialismo), intervenção regular(imperialismo), guerra aberta e diplomacia como se fossem a mesma coisa.