3 de mar de 2007

Petróleo nunca acabará

Há cerca de 50 anos atrás começaram a circular as primeiras previsões de que o petróleo acabaria, em poucos anos(ou décadas). Mas eu aposto com qualquer um, qualquer um mesmo, que as reservas de petróleo, sejam elas convencionais ou não-convencionais, não acabarão tão cedo. Quem acompanha o noticiário com cuidado, sempre verá em algum canto de página que novas reservas de petróleo são descobertas com certa freqüência.

2 de mar de 2007

Feita em casa

Cinemark não pode impedir cliente de levar pipoca

por Aline Pinheiro

" O Cinemark não pode proibir os consumidores de levar pipoca de casa para assistir os filmes nos cinemas da rede. Para o Superior Tribunal de Justiça, proibir a entrada no cinema com alimentos comprados fora do Cinemark é venda casada e, portanto, prática abusiva.

A decisão foi reafirmada na quinta-feira (1/3) pela 1ª Turma do STJ e vale, por enquanto, para o estado do Rio de Janeiro. Mas consumidores de outros estados também podem se sentir convidados para recorrer à Justiça se forem impedidos de entrar nas salas com alimentos comprados fora do cinema.

Em seu voto, o relator, ministro Luiz Fux, considerou que, ao permitir ao consumidor que entre nas salas de projeção apenas com alimentos comprados na loja do cinema, o Cinemark impede a liberdade de escolha entre “produtos e serviços de qualidade satistafória e preços competitivos”.

Para o ministro, essa proibição só é permitida quando a atividade essencial da empresa é a venda de alimentos. Para o Cinemark, como o próprio cinema argumentou, a venda de alimentos é apenas um complemento do seu lucro, e não sua atividade-fim.

A iniciativa de coibir a prática foi do Procon do Rio de Janeiro, que aplicou multa à rede Cinemark. A empresa recorreu à Justiça, mas seu pedido foi negado em primeira e em segunda instâncias. Agora, o STJ manteve a multa administrativa. "

Desisto. A partir de hoje só darei atenção a assuntos econômicos e à filosofia da ciência, ou a seu ramo mais amplo, a epistemologia de um modo geral. Quanto ao direito, que pouco abordo aqui mas que muito me interessa, deixo para que os especialistas se deliciem entre adotar medidas mais ou menos autoritárias. Claro que toda medida autoritária sempre vem acompanhada de uma justificativa, e a maior parte das justificativas possui embasamento na legislação vigente. O que nos diz mais sobre o caráter da mesma do que qualquer outra coisa. Também me reservo ao direito de não dar pitaco no ramo da ciência política. A situação atual do país, quando comparada às discussões mais elevadas e abstratas, tanto do direito quanto da ciência política(seria mais apropriado falar, talvez, de filosofia política), me deixa a beira de surtar. E apesar da filosofia da ciência ter implicações importantíssimas na vida nacional, seu caráter mais amplo que o escopo do direito e da ciência política me faz sentir menos mal, pois me leva a menos comparações.

Da mesma forma, as intrincadas questões suscitadas pela economia de matriz neoclássica, que possuem importantes aplicações no cenário nacional, apenas o atinge quase que por acidente. Pois, diante de nosso cenário mais geral, os princípios econômicos mais elementares bastariam para que o Brasil conseguisse produzir um ambiente mais amigável à atividade econômica. Quanto ao pensamento produzido em áreas como sociologia, história e comunicação social, nada tenho a acrescentar enquanto os mesmos não conseguirem se livrar dessa mania arraigada de tentar enxergar tudo pela infame sociologia do conhecimento, ou seja, enquanto não desenvolverem algum tipo de humildade intelectual.

Na verdade, em certos momentos sinto que seria melhor, simplesmente, o silêncio. Certamente o falar, o escrever, o argumentar, são atividades que, embora dêem algum tipo de deleite àqueles que se engajam nas mesmas, são superestimadas ao extremo. Talvez, como tenha apontado Nozick, pelo fato de que somente aqueles que valorizem a vida intelectual tenham se importado em desenvolver argumentos a favor da atividade intelectual.

Igualdade

Só a igualdade perante a lei faz algum sentido. A idéia de igualdade material, que está por trás de todos os clamores por uma distribuição mais igualitária da renda, dificilmente será defendida de peito aberto por qualquer pessoa. Só assim podemos explicar como esta idéia continua a despertar tanto fascínio, visto que o seu objetivo final, a saber, que TODOS ganhem a MESMA renda, é obscurecida pela mera reclamação quanto a forma como a mesma é distribuída atualmente. E mesmo que o governo se esforçasse para garantir uma renda mínima para todos, a igualdade que conseguiria seria garantir um montante mínimo igual para todos, não a igualdade do montante final. A idéia da igualdade de oportunidade confunde a idéia de que a exigência de que todo benefício concedido pelo governo deva ser concedido de maneira igual a todos(ou que pelo menos utilize um critério abstrato para que sejam concedidos benefícios específicos) com a idéia de que seja possível, ou mesmo desejável, que a influência de TODOS os fatores ambientais sejam neutralizados.

Ou seja, todas as idéias concorrentes de igualdade são versões confusas e mal acabadas da única idéia de igualdade que faz algum sentido, a saber, a idéia de que todos devem ser tratados de maneira igual perante a lei. A outra opção é imaginar que algumas pessoas devam se colocar acima da lei e definir seu conteúdo ao seu bel prazer, sendo excluídos de antemão, portanto, todos os casos em que o legislador se colocaria como objeto da norma.

28 de fev de 2007

Os Intelectuais

"From the beginnings of recorded thought, intellectuals have told us their activity is most valuable. Plato valued the rational faculty above courage and the appetites and deemed that philosophers should rule; Aristotle held that intellectual contemplation was the highest activity. It is not surprising that surviving texts record this high evaluation of intellectual activity. The people who formulated evaluations, who wrote them down with reasons to back them up, were intellectuals, after all. They were praising themselves. Those who valued other things more than thinking things through with words, whether hunting or power or uninterrupted sensual pleasure, did not bother to leave enduring written records. Only the intellectual worked out a theory of who was best." Robert Nozick

Um dos piores hábitos desenvolvidos pelos intelectuais é tentar atacar teorias rivais como sendo "ingênuas", "simplistas", etc. No fundo, pressupõem a posse de um conhecimento "especial", "profundo", eu diria até mesmo "mágico". A "obviedade" de uma proposição sugere muito mais um ponto de polêmica do que propriamente algum tipo de consenso, visto que uma proposição que seja consensual não precisa ser enunciada como tal para que seja reconhecida. A necessidade de articular o conhecimento já denota algum tipo de disputa.

Um outro hábito, ainda mais terrível, é tentar desenvolver uma explicação psicológica/sociológica para a adesão de alguém a teorias rivais. Não que o estudo da adesão a uma teoria não seja, ele mesmo, interessante, mas nada pode nos dizer sobre conteúdo de verdade da mesma.

Mas nada supera a idéia de que crenças e idéias possam ser impostas de maneira ad hoc a um determinado povo ou sociedade.

Não é possível mensurar quanto tempo se perde com debates infrutíferos deste tipo.
O que é educação?

25 de fev de 2007

Economia e influência

Não seria mais interessante um economista tentar influenciar seus colegas historiadores, sociólogos, geógrafos, filósofos, cientistas políticos e sociais, etc. do que propriamente um determinado candidato ou partido político?