29 de abr de 2009

Críticos do liberalismo - o problema dos historicistas
Os críticos do liberalismo sempre gostaram de apontar o que consideravam como caráter a-histórico do pensamento liberal. Mas esta crítica, em sua maior parte das vezes, ou é vazia ou é injusta.
Ela é vazia porque toda teorização, ao buscar relações permanentes entre objetos e coisas, ou seja, para estabelecer a dinâmica de funcionamento dos fenômenos encontrados no mundo, sempre se dá em forma a-histórica, ao tentar encontrar uma raiz comum que explique, para além daquilo que aconteceu, como as coisas acontecem.
Vejamos por exemplo a biologia. É certo que as criaturas biológicas são historicamente delimitadas, afinal a vida é um processo que ocorreu a partir de um certo momento do tempo, e os organismos surgiram ao longo deste início até os dias de hoje. Isso signifca que, por serem estruturas limitadas em sua duração temporal, elas não possam ser estudas sob a luz de relações universais e constantes ao longo do tempo? Tal discurso é no mínimo descabido. Apontar a historicidade das coisas estudadas não implica em abandonar a crença na existência de relações permanentes. Apontar que a formulação de leis naturais é historicamente delimitada também nada nos acrescenta. Dizer que uma lei natural explicita relações universais não é o mesmo que dizer que uma tentativa de estabelecer uma lei universal seja necessariamente correta. A relação apontada por uma lei universal é, por construção, infalível. Mas o estabelecimento das leis universais por parte dos homens não o é.
Além disso, ela é injusta porque, diante da aventura humana desde o surgimento da civilização(que é até onde podemos traçar com um grau de segurança aceitável), a história do exercício do poder foi sempre a história do seu abuso. Tiranos, abertamente conquistadores ou mascaradamente benevolentes, reis solitários ou castas dominantes, o poder sempre foi exercido seja de forma leniente, ou desastrosa mesmo. A falha de coordenar o funcionamento da sociedade através do planejamento central tem sido a marca de todos esses milênios em que a humanidade tem lutado contra a escassez dos recursos e contra os seus próprios semelhantes.
O trunfo do liberalismo foi tentar identificar, nos poucos rastros de progresso acumulados nessa história, os elementos institucionais que tornavam possível uma convivência pacífica, os incentivos ao progresso material e o desenvolvimento dos mecanismos limitadores do poder tirânico. Neste sentido, a tarefa liberal é essencialmente histórica. Já os historicistas, presos a seus modelos mentais de dinâmica histórica, que contraditoriamente se alicerçam sobre bases deterministas, parecem a todo momento jogar fora os dados comunicados pela experiência acumulada(história) humana. Se existe alguém que inventa uma história humana que não se confunde com a real(que sempre julgam como 'aparente'), são os inimigos do liberalismo.

2 comentários:

Allan Richard disse...

vc perdeu algum cartão de crédito em Belém?

Fabrício Tesla disse...

Democrata liberal, meu caro,não entendo muito bem esse ideal, de certo que tenho meu preceitos e busco novas idéias, mas a democracia passa longe de ser uma democracia, porque não chama-lá de democracia fascista da ditadura. achei seus comentários bem interessantes e gostaria de trocar algumas idéias, visite meu blog.